Centro de atendimento a crianças violentadas entra na pauta dos debates eleitorais

16 de julho de 2026 às 16:28

Casos recentes elevam apelo do tema; pré-candidata a vaga na Alego propõe que Goiás adote política de implantação de centros que unem repressão a crimes e cuidado com vítimas

O abuso sexual sofrido por uma criança de apenas 9 anos pela própria mãe e o padrasto, ocorrido no final de junho em Anápolis, acendeu ainda mais a necessidade de punição aos agressores, mas também de proteger às vítimas. Entre as propostas para unir a eficácia na produção das provas contra agressores e, ao mesmo tempo, humanizar o tratamento dos diretamente atingidos, a implementação dos Centros de Referência no Atendimento Infantojuvenl (CRAIs) ganha destaque.

Criados no Rio Grande do Sul, os CRAIs são instalações físicas que centralizam serviços de órgãos das áreas de saúde e segurança públicas, do atendimento psicológico e ambulatorial à realização de perícias, em um mesmo local. A ideia central é que a vítima passe pelos procedimentos apenas por uma única vez e evitar necessidade de repetição do relato e do trauma, evento conhecido entre os especialistas da área como revitimização.

No estado, a principal defensora dessa proposta é a jornalista Arianne Cândido, pré-candidata a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) pelo União Brasil (UB). Arianne cita a experiência bem-sucedida de Porto Alegre, sede do primeiro CRAI, instalado em 2001. “Na capital gaúcha, uma única unidade do CRAI recebe em média 150 casos por mês. São 2.500 atendimentos mensais, entre acolhimento, perícias e consultas”, explica.

A jornalista defende a elaboração, na Alego, de um Projeto de Lei que estabeleça uma política pública de instalação de CRAIs em Goiânia e nos municípios do interior onde a ocorrência dos crimes contra crianças e adolescentes são mais numerosos. ”Os CRAIs unem os serviços de toda uma rede de proteção em um só local. Eles evitam o deslocamento da vítima. Precisamos unir esforços na obtenção das provas e da repressão a esse crime hediondo com a qualidade do cuidado, principalmente no sentido de evitar a revitimização”, salienta.

Cândido cita números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 para comprovar a urgência da medida. “Três cidades goianas estão na lista das 20 cidades brasileiras com maior número de ocorrências registradas de estupro de vulnerável. Luziânia ficou em 13º, Trindade em 15º e Planaltina em 18º”, relata. Para a pré-candidata, Goiás necessita desse tipo de estrutura. “O estado já tem o pessoal qualificado, expertise na prestação do serviço e na forma de promover essa integração. Basta reunir tudo em um único espaço físico”, salienta.

Para Cândido, a implantação dos CRAIs em Goiás significam a aplicação de uma política de segurança pública segundo os verdadeiros anseios da Constituição do país e da vontade de seu povo. “Uma política de segurança que não considere a dimensão do cuidado com quem sofre com a ação dos criminosos é injustificável. Nesse sentido, os CRAIs estão justamente nessa fronteira. É onde o senso de justiça e a empatia se encontram”, conclui.